Contagem de ciclistas: um novo paradigma na gestão do território

Tal como a maior parte dos países da Europa, Portugal está a viver um período de euforia no que diz respeito ao uso da bicicleta como meio fundamental para minimizar o uso dos veículos motorizados nas deslocações dentro da cidade. Muito por causa dos planos de mobilidade e dos fundos europeus que os apoiam, mas também por ser um tema capaz de atrair o interesse dos meios de comunicação, os municípios encontram aqui uma ferramenta de promover formas de mobilidade mais sustentáveis e de se promoverem entre os eleitores.

No entanto, seja pelo custo associado a este tipo de projetos (construção de ciclovias, instalação de equipamentos públicos e alteração de vias existentes, por exemplo) seja pelas cada vez maiores limitações em termos de recursos financeiros dos municípios, torna-se essencial acompanhar e monitorizar a criação destas infraestruturas, necessidade aliás cada vez mais solicitada nos projetos europeus. Esta monitorização permite retirar uma série de conclusões a curto, médio e longo prazo que se revelam sempre fundamentais para compreender o impacto destes investimentos na vida das pessoas, na alteração de hábitos e no impacto em termos ambientais. Permite também perceber quais as tendências e necessidades futuras, ajudando de forma direta e visível a programação de novos investimentos e é uma arma fortíssima na promoção do uso da bicicleta.

ImagCorpo_1_Contagem de bicicletas em Sevilha (Espanha)

A monitorização do tráfego de pessoas e bicicletas é já um tema bastante importante e difundido em muitas cidades europeias e norte-americanas. No Velo City 2016, em Taipé, foram recentemente divulgados os dados do Eco-Counter Worlwide Cycling Index (http://www.eco-compteur.com/blog/2016/02/26/eco-counter-2015-worldwide-cycling-index-3-between-2014-and-2015/), resultado da análise de mais de 218.000.000 passagens, contabilizadas por 1490 contadores, espalhados por 17 países diferentes. Dos resultados conseguimos perceber que o ciclismo relacionado com mobilidade urbana aumentou cerca de 4%. Por sua vez, os países com maior crescimento (turismo e deslocações urbanas) foram Espanha (8%), Suiça e Canadá (6%) e Finlândia e EUA (4%).

Em Portugal começamos a dar os primeiros passos, mas será certamente uma evolução muito rápida devido à crescente importância na recolha de dados em ambiente urbano e do tema das cidades inteligentes, mas sobretudo porque é dos melhores investimentos que um município ou outra entidade responsável por gerir um território pode realizar.

Nuno Lavrador 

www.upnorthgroup.eu

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