ROSSIO – O problema não é “só” o parque de estacionamento

Rossio

No âmbito dos seus fins estatutários, em defesa de melhores condições de mobilidade e qualidade do espaço público, a associação CICLAVEIRO não poderia deixar de  demonstrar o seu descontentamento relativamente aos planos anunciados pela autarquia para a reabilitação do Rossio, estando na globalidade solidária com as diversas manifestações públicas da comunidade Aveirense contra a ideia base da intervenção.

Relembramos que já em abril de 2017 mesmo antes de conhecer os planos da autarquia para a superfície, enviamos um parecer à autarquia apontando os motivos pelos quais não deveria ser feito um parque subterrâneo.

Consideramos que todo o processo se encontra fragilizado desde a sua génese, pelo facto de não ter havido, por parte da autarquia, qualquer divulgação pública de fundamentação técnica ou estudos que justifiquem uma intervenção deste nível, muito menos a necessidade criação de um parque de estacionamento subterrâneo. Consideramos que a cidade não tem um problema de estacionamento, mas sim um problema de estacionamento ilegal, uma vez que para além de todo o estacionamento de superfície, os 3 parques subterrâneos disponíveis encontram-se permanentemente abaixo da sua lotação, enquanto as zonas destinadas a peões (incluindo os passeios) e as escassas faixas destinadas a bicicletas são ocupadas impunemente por veículos automóveis.

Apesar do programa de concurso incluir na sua memória descritiva a intenção de “promover a acessibilidade e melhorar as condições para os modos suaves de mobilidade”, não tivemos oportunidade de ver isso transposto para a ideia base do projeto. O que vemos é a manutenção (e até o crescimento) da pressão rodoviária numa zona que se pretende que seja tendencialmente pedonal, face ao crescimento do turismo e da pretensão da autarquia de promover a realização de eventos numa futura praça. Manter as duas vias de trânsito e a entrada e saída de viaturas, pela ponte praça, apenas vai agravar a já difícil coexistência entre peões e automóveis na Rua João Mendonça.

Por tudo isto, a associação Ciclaveiro defende a retirada do tráfego motorizado nesta área do coração da cidade de Aveiro formando uma zona contínua de acesso apenas aos modos activos de deslocação (a pé e em bicicleta) integrando o Rossio, a Praça do Peixe, a Praça Melo Freitas e as várias artérias que os interligam, devolvendo esta área às pessoas e potenciando o seu usufruto como espaço de vivência, com as vantagens óbvias para todos os habitantes da cidade e aqueles que a visitam assim como para o comércio local e para a própria imagem da cidade.

Em resumo, parece-nos que falta neste projecto uma visão daquilo que constitui a tendência evolutiva das cidades modernas, crescentemente descarbonizadas e voltadas para a fruição pedonal e ciclável do espaço urbano, e um deficit igualmente notório de ponderação dos benefícios e prejuízos inevitavelmente decorrentes da construção do parque subterrâneo. Como tal, defendemos que a obra não se realize, principalmente por não termos conhecimento de estudos que fundamentem devidamente a decisão de a levar a cabo.

Ciclaveiro – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta

 

22 de junho de 2018

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