Aveiro e a aposta nos modos activos?

Na passada quinta-feira (22-03-2018) realizaram-se as sessões de apresentação dos projectos PEDUCA referentes à “Ligação Ciclável Estação da CP – UA” e “Centro Histórico de Esgueira”.

Relativamente ao trajecto ciclável que fará a ligação entre a Estação de Comboios e a Universidade de Aveiro, o Ciclaveiro reafirmou o seu descontentamento pela escolha de um circuito periférico, que obriga o utilizador de bicicleta a realizar um percurso mais longo, com maior declive e sem a proximidade do comércio local e inúmeros serviços localizados no coração da cidade [1].

A implementação de um trajecto mais central constituiria uma excelente oportunidade para devolver parte da cidade às pessoas e aos modos activos – pedonal e em bicicleta – servindo não só a comunidade académica mas também todos os outros utilizadores de bicicleta que seriam incentivados a frequentar o núcleo urbano de Aveiro. No entanto, a opção tomada relega os ciclistas para as ruas secundárias, de modo a não incomodar o automóvel na zona mais central da cidade.

Esta foi também a opinião demonstrada pelos membros da comunidade académica presentes na sessão de apresentação. Da actual versão do projecto, e reflectindo o incompreensível privilégio atribuído ao automóvel mesmo no planeamento de uma ligação ciclável, destaca-se a existência ao longo do trajecto de um exagerado número de pontos de conflito entre veículos motorizados e bicicletas. Estes, assim como o seu nível de gravidade, terão de ser seriamente repensados se realmente se pretende que esta ligação possa ser atractiva e ter alguma utilidade.

O Ciclaveiro manifesta a mesma preocupação relativamente ao projecto de requalificação do Centro Histórico de Esgueira, visto este não reflectir o objectivo de reduzir a presença de tráfego motorizado no núcleo urbano da freguesia, mantendo-se a forte ocupação do espaço público pelas vias de circulação e estacionamento automóvel.

Neste caso, é particularmente grave a descontinuidade dos percursos pedonais devido à presença de lugares de estacionamento e à manutenção de dois sentidos de trânsito, factores esses que conduzem também a um maior volume de tráfego motorizado, aumentando o risco rodoviário incidente sobre os peões e utilizadores de bicicleta neste núcleo urbano.

O Ciclaveiro considera que o projecto deve ser repensado com vista a privilegiar peões, ciclistas e um núcleo urbano mais humanizado, diminuindo o espaço destinado ao automóvel particular e aumentando a segurança e conforto das pessoas no centro da freguesia.

 

[1] Ciclaveiro, Parecer do Ciclaveiro sobre a operação “Criação de Rede Ciclável” do PEDUCA e o trajecto ciclável entre a Estação de Comboios e a Universidade de Aveiro, 22 de Junho de 2017.

 

Ciclaveiro – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta

27 de Março de 2018

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