A Ciclovia da Rua da Pêga – desde a sua criação até aos dias de hoje

A Rua da Pêga percorre parte da extensão do Campus da Universidade de Aveiro, e é o ponto de ligação mais importante à instituição numa abordagem a partir do acesso Norte da A25. Os dois fluxos que alimentam o tráfego desta circular são os transeuntes provenientes da rotunda de acesso à A25 e estudantes que vêm da zona central de Aveiro, tipicamente bairro do Alboi, zona da Beira-Mar e zona da Avenida Lourenço Peixinho.

Em obras de requalificação da via, por altura do lançamento da BUGA, foi construída aquela que é uma das raras ciclovias da cidade: a Ciclovia da Pêga. Esta via independente dedicada exclusivamente ao trânsito de bicicleta estava equipada com rails metálicos de separação para a estrada, sinalização vertical e horizontal e iluminação. Um verdadeiro luxo na nossa cidade, ainda que isolada do resto da cidade e com finais abruptos nos seus extremos.

A juntar-se às condições físicas superiores, a ciclovia gozava também da sua localização privilegiada. Virada diretamente para a Ria de Aveiro, com vista exclusiva para algumas das marinhas mais bonitas, a ciclovia era também frequentada por ciclistas e peões com o propósito único de passear e tirar algumas fotografias.

A ciclovia da Pêga acabou por não ser o êxito que possivelmente se esperava. De repente não começaram a surgir hordas de ciclistas a deslocar-se para a universidade. Bem pelo contrário, a inexistência de um plano de mobilidade conjunto entre a Universidade e a Autarquia manteve hábitos pendulares já existentes, o carro sobretudo. A crescente importância da Universidade com mais estudantes e profissionais, a eliminação de alguns estacionamentos gratuitos nas imediações, a imposição de pagamentos noutros, e o trânsito condicionado fez com que os estacionamentos existentes no campus ficassem estrangulados com a afluência diária. A crescente importância da Universidade, com mais estudantes e profissionais, aliada à manutenção desses hábitos de mobilidade, levou à insustentável situação em que os estacionamentos livres existentes no campus passaram a ficar estrangulados com afluência diária de automóveis.

Por outro lado, e seguindo uma prática corrente de gestão autárquica nacional, a Ciclovia da Pêga, tal como as restantes, não sofreu qualquer obra de manutenção desde que foi criada. Naturalmente a Ciclovia começou a desgastar-se ao longo dos anos, agravada por estar muito exposta aos elementos corrosivos da Ria de Aveiro.

Aproveitando-se desse desgaste, e contribuindo para ele muito mais do que os processos naturais, os automobilistas começaram a tomar de assalto uma faixa ciclável de quase 1 km de extensão e utilizá-la livremente como um belo estacionamento, com a vantagem de ficar ainda mais perto de alguns departamentos. A responsabilidade para com a manutenção do cumprimento de normas cívicas básicas nunca foi assumida de forma consequente pela Câmara Municipal de Aveiro, nem pelas Polícias respetivas, e alguns movimentos espontâneos de condutores mais atrevidos tornaram-se na norma que vigora até hoje.

Durante a Semana Europeia da Mobilidade e aproveitando o mote de alguns dos nossos apoiantes, levámos a cabo uma campanha de sensibilização onde o objetivo era denunciar a utilização irregular desta estrutura. Para isso mobilizámos a comunidade académica e urbana para a captação de fotos de situações onde carros estivessem indevidamente estacionados

O resultado é um acervo rico em exemplos onde condutores estacionaram os seus carros de forma totalmente irregular, colocando em risco a segurança dos ciclistas. Em muitas destas situações a ciclovia era totalmente obstruída por carros ou era mesmo até clara a existência de estacionamentos regulares vagos a poucos metros de distância.

O objetivo final deste trabalho será o de reunir todos os registos e depoimentos, e entregá-los, juntamente com propostas de acções, diretamente à Câmara Municipal de Aveiro e à Polícia de Segurança Pública. Acreditamos que estas instituições não podem continuar indefinidamente a fingir que o problema não existe. Assim como acreditamos que os hábitos de prejudicar utilizadores vulneráveis, numa sociedade civilizada, não podem ser imutáveis. Da nossa parte, temos o dever de identificar, denunciar e contribuir para a resolução de problemas individualmente, até que Aveiro seja a cidade que todos nós desejamos e necessitamos. Uma cidade segura, eficiente e de respeito por terceiros. Muito linda já é.

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